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terça-feira, 13 de outubro de 2015

TERCEIRO LIVRO SOBRE O DESAPARECIMENTO DO ESCOTEIRO MARCO AURÉLIO FOI LANÇADO EM PIQUETE



O mistério do desaparecimento do escoteiro Marco Aurélio, ocorrido em 8 de junho de 1985 - há 30 anos -, teve mais um capítulo neste sábado, com o lançamento do terceiro livro da série Operação Marins, na cidade de Piquete, no Salão de Atividades Prefeito Luiz Vieira Soares.

Marco Aurélio, 15 anos, fazia parte de um grupo de quatro jovens escoteiros, liderados pelo chefe Juan Bernabeu Céspedes, que buscava alcançar o Pico dos Marins, de 2.420m, na divisa de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. A 1.700m um dos garotos se machucou e o líder autorizou Marco Aurélio a ir à frente sozinho. buscar socorro. Marco Aurélio foi se distanciando e a partir de então não foi mais visto, nem localizado pelas equipes de buscas,  que movimentaram mais de 300 pessoas, por mais de 30 dias.

Até hoje, 30 anjos depois, não há indício ou prova material concreta sobre o que aconteceu a Marco Aurélio, e a conduta do líder Juan nunca foi aceita por todos que conhecem a história: "como um líder escoteiro de larga experiência, como cometeu um erro tão grave", afirma o pai Ivo Simon. 

Trata-se de um dos maiores mistérios do mundo, segundo especialistas, superando os desaparecimentos no Triângulo das Bermudas, porque não se encontrou até hoje um indício ou prova material do que ocorreu.

O livro, de autoria do jornalista Rodrigo Nunes, traz comentários e depoimentos de pessoas  envolvidas com o fato, como o pai do escoteiro, o jornalista Ivo Simon e o irmão gêmeo Marco Antonio.

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

HOJE, ESCOTEIRO MARCO AURÉLIO NO JORNAL DA BAND

O Jornal da TV Band de hoje (19/08/15), com início às 19h30, trará matéria sobre Desaparecidos, incluindo 3 minutos sobre o desaparecimento do escoteiro Marco Aurélio, há 30 anos, exatamente no dia 8 de junho de 1985.
Os pais Neuma e Ivo Simon estão na entrevista.

quarta-feira, 10 de junho de 2015

HÁ 30 ANOS PROCURO O ESCOTEIRO MARCO AURÉLIO, MEU FILHO.
ME AJUDE, POR FAVOR.

8 de junho de 1985. Uma data para não esquecer. Início de uma história de 30 anos que mudou a minha vida e a da minha família.

Numa jornada do Grupo Escoteiro Olivetano, quatro jovens escoteiros de 15 anos e um líder adulto, 36 anos, tentavam alcançar o Pico dos Marins, próximo à cidade de Piquete,  no Vale do Paraíba, quando a 1.700 metros de altitude, um garoto torceu o pé.  Marco Aurélio, meu filho, foi autorizado a buscar socorro, enquanto os demais tentariam segui-lo lentamente.  Mas Marco Aurélio não venceu a montanha de pedras. Desapareceu, como por encanto e até hoje não existe um só indício, um fio de cabelo, que indique o que aconteceu.

Mais de 300 homens realizaram as buscas por cerca de 30 dias, incluída entre as maiores já realizadas no Brasil, com policiais civis, militares, mateiros, espeleólogos, alpinistas, dois helicópteros, três equipes do COE - Comando de Operações Especiais, teólogos.

É o terceiro maior mistério do mundo.

Como jornalista, tive o amparo maciço dos companheiros de imprensa de todo o país, das autoridades e principalmente da população de Piquete e da região. Mas Marco Aurélio nunca mais foi visto, apesar do uniforme escoteiro e tanta gente procurando, não se conseguiu um único indício de um local por onde teria passado.

Hoje recorro a você, caro leitor. Veja as fotos envelhecidas que aqui anexo. Veja se você conhece ou viu alguma pessoa parecida. E entre em contato comigo, com as assistentes sociais ou autoridades de sua cidade, mas me avise, por favor.

Marco Aurélio pode estar em qualquer lugar deste país ou do exterior, porque ele está vivo, tenho certeza.

Apesar de muita gente acreditar que o líder escoteiro Juan Bernabeu Céspedes assassinou Marco Aurélio e sumiu com o corpo, eu não penso assim.  Afinal, ao que se sabe, ele nunca antes havia cometido um crime e nem o cometeu depois. Seu erro foi autorizar Marco Aurélio a ir buscar socorro no meio de uma montanha que não conhecia e onde não havia ninguém para ajudar, decisão que ninguém entende e levantou suspeitas que perduram até hoje. O que se sabe, e que só vim a tomar conhecimento pelas peças do inquérito, onde é taxado de frio e calculista, é que ele tem transtornos mentais, como comprovou em entrevistas posteriores, afirmando que não errou e que se tivesse que tomar uma nova decisão ela seria exatamente a mesma.

Mas isso pouco importa. O que busco é localizar Marco Aurélio. Durante esses 30 anos tivemos informações de pessoas parecidas com Marco Aurélio em São José dos Campos, Campos do Jordão, Lavrinhas, Botucatu, Pindorama, Sorocaba (SP), Fortaleza (CE), Imperatriz (MA) , Botuporã (BA), Ouro Fino, Belo Horizonte (MG), Rio de Janeiro, Resende (RJ) e tantas que perdi a conta... Duas vezes fomos identificar pessoas que usavam o nome de Marco Aurélio e se faziam passar por ele, porque haviam gostado da histórica aventura. Ainda agora estamos avaliando informações que recebemos de Cachoeira de Minas e Conceição dos Ouros, em Minas Gerais.

A imprensa sempre noticiou as nossas buscas. Tive dois infartos, fiz duas cirurgias do coração (uma mamária e duas safenas) e minha esposa tem cinco doenças autoimunes.  Tudo de fundo emocional.

Mas temos saudade, muita saudade do escotismo. Dos acampamentos que grupos faziam em nosso sítio em Mairiporã. Da primeira vez meu filho Fábio veio me dizer que queria ser escoteiro e já tinha ido falar com o chefe, no Grupo Escoteiro Olivetano.

Movida pelo belo trabalho do escotismo e do bandeirantismo, toda nossa família ingressou nesses movimentos. Anos depois, Fábio tornou-se Lis de Ouro e, como tal, entregou a bandeira do Brasil, em nome da UEB, ao Rei Gustavo da Suécia, e minha filha Patrícia um quadro à sua esposa, a rainha Silvia, quando o casal foi homenageado em São Paulo.

Pena que a irresponsabilidade do chefe acabou com o nosso grupo. Ficaram ainda as amizades, mas as atividades cessaram, as famílias ficaram com medo de prosseguir. Mas foi um erro de conduta, inadmissível, de um chefe, o que em nada denigre a beleza de formação dos jovens junto às comunidades e à natureza. Mas fica um alerta aos pais, para que analisem bem quem são os responsáveis e como se comportam os líderes, não só no escotismo, mas em todos os grupos comunitários que seus filhos militem. Para que amanhã não se sintam como eu, culpado.

De resto, a falta de provas sobre o que aconteceu, e a palavra de Chico Xavier, quando estivemos em sua casa, em Uberaba, MG, que a uma pergunta minha sobre se Marco Aurélio estava vivo, limitou-se a responder:  “só me comunico com entes desencarnados. E com ele não consegui me comunicar”. Por isso continuo a procura. O livro que Chico me deu, “Presença de Luz”, tem uma dedicatória singela: “Aos prezados amigos sr. Ivo Bosaja Simon e Da. Tereza Neuma Bezerra Simon, com respeitoso apreço do servidor reconhecido, Chico Xavier. Uberaba, 5  – 4 –1986”.

Marco Aurélio tem um irmão gêmeo, Marco Antônio. São idênticos e univitelinos. E Marco Antônio nunca se furtou em aparecer na mídia para que alguém que o veja lembre se conhece uma pessoa parecida.

Oxalá, você, caro leitor, possa ser o meu contato para localizar Marco Aurélio.

No google, há inúmeras matérias, filmes e relatos sobre “Marco Aurélio, o escoteiro desaparecido”. No blog, agrupamos a história e informações.
Muito obrigado por ler este relato e vivenciar conosco esta novela de 30 anos.

Ivo Simon
Jornalista – MTb 10.743




30 ANOS SEM MARCO AURÉLIO

Hoje, 8 de junho de 2015, é uma data particularmente triste para minha família. Há 30 anos, desaparecia o meu irmão gêmeo Marco Aurélio, então com 15 anos de idade, durante os quais partilhamos muitas dificuldades, mas sobretudo, muitas vitórias e alegrias.


Já escrevi no passado sobre como, na minha visão, é um sentimento especial ter um irmão gêmeo, alguém que na verdade, é parte de você e da sua existência.


Mas jamais imaginei passar tanto tempo da vida sem ele. E curiosamente, fazendo parte do movimento escoteiro, durante uma atividade que nós tanto gostávamos - acampar e fazer jornadas. 


Passado tanto tempo, não tenho mágoas do escotismo em si. Para nós, que sempre sofremos de alguma forma, rejeição por parte de outras crianças em função dos nossos problemas físicos e limitações por termos nascido prematuros de 6 meses e meio, tivemos a felicidade de sempre encontrar apoio na família, nas madres tão queridas, nos amigos da escola São José da Vila Matilde e também no escotismo. 


Mesmo com as nossas limitações, o escotismo nos acolheu e ajudou muito no nosso desenvolvimento não só físico, mas também em estimular as habilidades de liderança e realização de atividades em grupo. A verdade é que nós adorávamos o escotismo, por isso a tristeza de que esse movimento para nós tão especial, ter sido também o caminho para um fato até agora trágico e sem resposta.


O desaparecimento do Marco Aurélio é algo que para mim, segue como uma situação injustificada sob qualquer análise. Admiro as pessoas que encontram explicações e conforto em outras atividades para aliviar suas dores, mas até encontrar ou saber o que aconteceu ao Marco Aurélio, serei um eterno inconformado. Acredito em Deus e em fazer o bem, mas não posso acreditar que Ele tenha nos colocado nessa vida para passar por algo tão triste e sem explicação. 


Mas a vida segue e o fato é que todos os dias há sempre algo pelo que lutar, a família, uma esposa e filhos maravilhosos para nos dar incentivo de prosseguir adiante. E tantos amigos que sempre nos deram força para conseguir suportar essa ausência de tão longa data.  Graças ao esforço dos meus pais, dos amigos jornalistas ou não, o caso do Marco Aurélio não segue nas estatísticas e no esquecimento, como mais um desaparecido entre tantos por esse mundo a fora. 

Mas para cada família que vive essa situação, o filho desaparecido é único, e o sentimento de perda também.


Nesses 30 anos sem o Marco Aurélio, ainda não tive coragem de contar aos meus filhos sobre o tio que eles não conhecem. Mas jamais esqueci de você, meu irmão, nem um dia sequer. 


Que possamos um dia nos encontrar e deixo aqui a foto exatamente como lembro dele, sempre risonho e prestativo. 


Aos meus pais, irmãos, minha esposa Gilmara Raquel Felipe Simon, família e amigos, muito obrigado por estarem conosco nessa busca.

Marco Antonio Simon

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Caros amigos,
Há 29 anos procuro pelo escoteiro Marco Aurélio. Meu filho. Muitos conhecem esta história, listada entre os três desaparecimentos mais intrigantes do mundo, ocorrido no Pico dos Marins, perto de Piquete, SP, no dia 8 de junho de 1985.
Meus companheiros da imprensa sempre me ajudaram nesse longo período.
Depois de tantos programas, hoje (16/12/14) o Tá na Tela da Band dedicou cerca de 20 minutos ao assunto, mas com um enfoque diferente.
Fez uma reconstituição na Serra da Mantiqueira, local do desaparecimento, com atores que encenaram com fidelidade o que teria acontecido naquele dia.
A equipe da Band teve uma dedicação incrível na coordenação das gravações.
Um trabalho que começou meses atrás, quando recebi um telefonema, dia 30 de setembro, do jovem Clésio Souza, da produção da Band, sobre como poderíamos abordar o fato com algum diferencial, comentando sobre uma eventual reconstituição.
Veio à minha casa e viu todo o material que tenho em arquivo.
Levou a idéia e a pauta foi aprovada.
Na sequência, a repórter Livia Zuccaro veio entrevistar a mim e minha esposa Neuma.
Dia 18 de novembro, uma equipe da TV, orientada pelo Alexandre, e os jovens atores, acompanhados de suas mães, foi feita a reconstituição no Pico dos Marins, com a colaboração do jornalista Rodrigo Nunes e do guia João Correia, que na época ajudou nas buscas.
Dias depois a equipe foi entrevistar Marco Antonio, o irmão gêmeo de Marco Aurélio, em São Bernardo do Campo.
O resultado foi esta brilhante reportagem exibida hoje. Feita com carinho, dedicação e, acima de tudo com grande responsabilidade.
Decidi relatar todos os passos do trabalho da TV para que, quem me lê agora e não conhece esse tipo de trabalho, veja como é preciso força de vontade, cuidado em cada detalhe, e uma edição honesta para se chegar a uma matéria de 20 minutos.
Só posso dizer a todos que estiveram ao meu lado nessa reportagem, um obrigado. Obrigado, não. Muito, muito obrigado pela dedicação.
Tenho certeza de que o jovem apresentador Luiz Bacci deve estar orgulhoso por ter uma equipe tão dedicada e competente. E parabéns à Band pelo programa. Sua grande audiência poderá - quem sabe - nos trazer nova luz nessa busca a Marco Aurélio.
Aos amigos que tiverem paciência para ler este relato, agradeço de coração.
A todos, um Feliz Natal e Próspero Ano 2015.
Abraços afetuosos do Ivo

Link:
http://entretenimento.band.uol.com.br/ta-na-tela/videos/2014/12/16/15313396/escoteiro-esta-desaparecido-ha-29-anos.html

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

MATÉRIA NO JORNAL FOLHA DE SÃO PAULO

A Folha de São Paulo publicou domingo, 09 de agosto de 2014, em Cotidiano, matéria de destaque entitulada "Pai não desiste da busca de filho desaparecido há 29 anos", por Eliane Trindade e fotos de Bruno Poletti/Folhapress.

Link:

http://www1.folha.uol.com.br/colunas/redesocial/2014/08/1498129-pai-nao-desiste-da-busca-de-filho-desaparecido-ha-29-anos.shtml

segunda-feira, 9 de junho de 2014

MISTÉRIO DO DESAPARECIMENTO DO ESCOTEIRO MARCO AURÉLIO COMPLETA 29 ANOS




Família não desiste de procurar Caquéio
  

Meia noite de 8 de junho de 2014. São 29 anos sem Caquéio, o apelido carinhoso com que chamávamos nosso filho, um garoto alegre, surpreendente, que lutou muito para viver e sobreviver e aos 15 anos desapareceu misteriosamente numa jornada escoteira ao Pico do Marins, na época o mais alto do Brasil, com 2.219 metros, próximo a Piquete, divisa entre São Paulo, Minas e Rio de Janeiro. Maior busca já realizada no Brasil, envolveu mais de 300 pessoas durante 28 dias seguidos, entre policiais civis, militares, alpinistas, espeleológos, mateiros da região e voluntários. O desaparecimento do nosso filho escoteiro, Marco Aurélio Bezerra Bosaja Simon, desafia a nossa inteligência e de todos quantos acompanharam as buscas.

Marco Aurélio participava de um grupo de quatro escoteiros de 15 anos, comandados pelo líder Juan Bernabeu Céspedes, quando a 1.700 metros de altitude um garoto machucou o joelho e o grupo decidiu voltar ao acampamento. Foi quando, ninguém entende o porquê disso, Juan teve a decisão absurda de autorizar a Marco Aurélio separar-se do grupo e ir buscar ajuda, num lugar desconhecido, onde não havia ninguém para ajudar.

Depois de andar cerca de 200 metros, marcando a passagem com um giz nas pedras, Marco Aurélio desapareceu, sem deixar vestígios. Juan, estranhamente, conduziu o grupo em outra direção, levando 15 horas para chegar ao acampamento às seis da manhã do dia seguinte. Deixou os garotos dormindo e voltou à serra, supostamente para encontrar Marco Aurélio, retornando ao acampamento quatro horas depois, sem localizar o garoto e sem explicações. Condutas estranhas, tão estranhas que depois de dois ou três dias de busca a polícia passou a suspeitar de que ele havia assassinado e enterrado o garoto na mata.

Pensei que hoje eu voltaria a ver Caquéio. Como penso a cada dia, ano após ano. Mas, na realidade, foi apenas mais um dia de espera por uma resposta que não vem, mas que busco incessantemente, num misto de resignação e revolta.

Resignação, porque penso no que ainda posso fazer para encontrar Marco Aurélio.

Lembrei hoje da vida e da sobrevida de Marco Aurélio em detalhes. O nascimento prematuro aos seis meses e meio, com o irmão gêmeo, Marco Antônio. Marco Aurélio pesando 1.050 kg e Marco Antonio 1.350 kg com poucas chances de sobreviverem. Mas minha esposa e eu sempre acreditamos positivamente, acreditando que Deus nos ajudaria.

Ficamos felizes quando eles tomaram a primeira mamadeira, na verdade uma gota de leite na boca, com conta-gotas. O médico pediu minha autorização para aplicar uma injeção em Marco Aurélio num momento crítico como única solução para tentar reanimá-lo, mas que também poderia ser fatal no momento da aplicação. Com dor no coração autorizei, e ele sobreviveu.

Depois de três meses em incubadora na Maternidade São Paulo, onde foram batizados nas isoletes, um ao lado do outro, e com bolo para as enfermeiras e médicos, chegamos em casa com os dois garotinhos num mesmo cestinho.

Caquéio nasceu com megacólon congênito (paralisação de parte do intestino). Passaria por duas transfusões de sangue, duas cirurgias – um delas com 37 dias de hospitalização na Santa Casa de Misericórdia de São Paulo - ,  e anos seguidos de dolorosas dilatações intestinais. Sempre esbanjando felicidade. Quando perguntávamos como se sentia, ele só levantava o polegar em sinal de positivo. Sem nunca se queixar. Cianótico por diversas vezes, tremia nos dias de frio e necessitava de muitos agasalhos. E foi superando todos os seus problemas de saúde. Em 1985, então com 15 anos, esse ser iluminado estava pronto para a vida e já fazia a Escola Técnica onde era líder e referência na classe, conforme depoimento dos professores, anexado ao inquérito policial.

O sentimento de revolta é comigo mesmo, pela minha ingenuidade ao confiar em um chefe escoteiro irresponsável, desqualificado e portador de problemas mentais, como vim a saber depois dos fatos, conforme consta nos autos de avaliação psicológica no inquérito, que o apontam como psicopata, frio e calculista. Detalhes que, na minha ingenuidade, não detectei a tempo e hoje tenho convicção de que são verdades. Basta ver quantas vezes o alienado Juan declarou que, se necessário, voltaria a agir exatamente como naquela ocasião, ou seja, ele garante que acertou ao liberar o garoto para seguir sozinho em busca de um socorro que não existia. Ainda hoje revi a sua entrevista à TV Aparecida, no programa Tvendo e Aprendendo, sete anos atrás, reafirmando que agiu corretamente. Sem dúvida, um chefe alienado e retardado.

Juan desapareceu da vida dos Simon. De freqüentador assíduo da nossa casa, sumiu logo após o fato, escondendo-se em Manaus, sem nunca ajudar com ações ou com uma palavra amiga à família que atraiçoou, ardilosamente. Portou-se durante esses 29 anos como um repelente assassino, o que não deixa de realmente ser, porque com sua ação matou 29 anos de nossas vidas. Tive dois infartos. Minha esposa tem cinco doenças autoimunes. Tudo por fundo emocional, conforme diagnósticos médicos.

Mas não obstante o rigor das buscas realizadas, incluindo três equipes do COE – Comando de Operações Especiais, helicópteros e cães farejadores, não foi encontrado um único vestígio sobre Marco Aurélio na serra. Nem roupa, bota, cinto escoteiro ou pegadas. Muito menos  o local onde teria sido enterrado por Juan.

Diversas hipóteses foram levantadas. Teria sido levado pela seita religiosa Borboletas Azuis, abduzido por Disco Voador, fugido de casa (como pensar nisso se todos os seus documentos e dinheiro ficaram na barraca e em São Paulo ele circulava tranquilamente com o dinheiro que quisesse?).

Em encontro reservado com Chico Xavier, na residência do próprio, em Uberaba, ele nos disse: “Só me comunico com entes desencarnados”. Perguntei se Marco Aurélio estava vivo e ele repetiu a mesma resposta.

Por isso, continuo a acreditar em encontrar Caquéio bem vivo. E vou encontrá-lo. Tenho até hoje a ajuda de amigos e do povo brasileiro.

Assim peço a você, caro leitor, caso conheça alguma pessoa com origem desconhecida, parecida com as características de Marco Aurélio, escreva-nos ou entre em contato com a polícia local contando o fato. Marco Aurélio tem as seguintes características (baseadas nas do irmão gêmeo atualmente): 1m68 de altura, magro, ligeiramente estrabico, cicatriz de cirurgia no abdômen, cicatriz no lábio superior.

Se possível, envie-nos as impressões digitais da pessoa, para que possamos confrontá-las com as de Marco Aurélio. Como orientação anexamos diversas fotos sobre como poderá estar hoje Caquéio, aos 44 anos.

Este é o resumo dessa longa e triste novela, que rezo para que não se repita com mais ninguém. E um alerta aos pais: olhem bem a quem confiam seus filhos. Duvidem de títulos, condecorações e histórias fantasiosas. Lembrem da nossa história e do farsante líder.  

Meus companheiros da imprensa ajudaram muito na divulgação nesses 29 anos. Programas de TV como J.Silvestre, Moacyr Franco Show, Fantástico, Silvia Popovic, Leonor Silva, Fantástico, Domingo Legal, Balanço Geral, Domingo Espetacular, Amaury Jr., Tvendo e Aprendendo, Gil Gomes, radialistas como Paulo Barbosa e Saulo Gomes, jornais de todo o país e do exterior, revistas Veja, Contigo, sites diversos, entre tantos veículos de divulgação.

Mas preciso de mais ajuda. Só mantendo essa divulgação é que as pessoas poderão encontrar Marco Aurélio. Conto com o seu apoio, por favor, caro jornalista.

Abraços do jornalista Ivo Simon, pai de Caquéio.
Abraços da jornalista e professora Neuma Simon, mãe de Marco Aurélio.