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quarta-feira, 10 de junho de 2015


30 ANOS SEM MARCO AURÉLIO

Hoje, 8 de junho de 2015, é uma data particularmente triste para minha família. Há 30 anos, desaparecia o meu irmão gêmeo Marco Aurélio, então com 15 anos de idade, durante os quais partilhamos muitas dificuldades, mas sobretudo, muitas vitórias e alegrias.


Já escrevi no passado sobre como, na minha visão, é um sentimento especial ter um irmão gêmeo, alguém que na verdade, é parte de você e da sua existência.


Mas jamais imaginei passar tanto tempo da vida sem ele. E curiosamente, fazendo parte do movimento escoteiro, durante uma atividade que nós tanto gostávamos - acampar e fazer jornadas. 


Passado tanto tempo, não tenho mágoas do escotismo em si. Para nós, que sempre sofremos de alguma forma, rejeição por parte de outras crianças em função dos nossos problemas físicos e limitações por termos nascido prematuros de 6 meses e meio, tivemos a felicidade de sempre encontrar apoio na família, nas madres tão queridas, nos amigos da escola São José da Vila Matilde e também no escotismo. 


Mesmo com as nossas limitações, o escotismo nos acolheu e ajudou muito no nosso desenvolvimento não só físico, mas também em estimular as habilidades de liderança e realização de atividades em grupo. A verdade é que nós adorávamos o escotismo, por isso a tristeza de que esse movimento para nós tão especial, ter sido também o caminho para um fato até agora trágico e sem resposta.


O desaparecimento do Marco Aurélio é algo que para mim, segue como uma situação injustificada sob qualquer análise. Admiro as pessoas que encontram explicações e conforto em outras atividades para aliviar suas dores, mas até encontrar ou saber o que aconteceu ao Marco Aurélio, serei um eterno inconformado. Acredito em Deus e em fazer o bem, mas não posso acreditar que Ele tenha nos colocado nessa vida para passar por algo tão triste e sem explicação. 


Mas a vida segue e o fato é que todos os dias há sempre algo pelo que lutar, a família, uma esposa e filhos maravilhosos para nos dar incentivo de prosseguir adiante. E tantos amigos que sempre nos deram força para conseguir suportar essa ausência de tão longa data.  Graças ao esforço dos meus pais, dos amigos jornalistas ou não, o caso do Marco Aurélio não segue nas estatísticas e no esquecimento, como mais um desaparecido entre tantos por esse mundo a fora. 

Mas para cada família que vive essa situação, o filho desaparecido é único, e o sentimento de perda também.


Nesses 30 anos sem o Marco Aurélio, ainda não tive coragem de contar aos meus filhos sobre o tio que eles não conhecem. Mas jamais esqueci de você, meu irmão, nem um dia sequer. 


Que possamos um dia nos encontrar e deixo aqui a foto exatamente como lembro dele, sempre risonho e prestativo. 


Aos meus pais, irmãos, minha esposa Gilmara Raquel Felipe Simon, família e amigos, muito obrigado por estarem conosco nessa busca.

Marco Antonio Simon

Um comentário:

  1. Que Deus abençoe e dê muita força a toda sua família!
    Mas, e os outros garotos, que hoje em dia são adultos, o que dizem?

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